Há algo paradoxal na situação econômica do Brasil em 2026. O país tem inflação sob controle, reservas internacionais robustas, desemprego em queda e sistema financeiro sólido. Em tese, são as condições para um crescimento vigoroso. Na prática, o PIB cresce entre 2% e 3% ao ano.
A taxa de investimento brasileira, em torno de 17% do PIB, é baixa para os padrões de economias emergentes que crescem mais rapidamente. China e Índia investem mais de 30% do PIB.
Parte da resposta está no custo do capital. Mesmo com a Selic em queda, as taxas de juros reais no Brasil ainda estão entre as mais altas do mundo. Isso encarece o financiamento de projetos de longo prazo.
Mas os juros altos são sintoma, não causa primária. A causa mais profunda é a incerteza fiscal. Quando o mercado não tem certeza sobre a trajetória da dívida pública, exige prêmio de risco nos títulos do governo.
O paradoxo da estabilidade, portanto, é este: as mesmas políticas que trouxeram estabilidade macroeconômica também limitam o crescimento de curto e médio prazo. Sair dessa armadilha exige reformas estruturais que aumentem a produtividade sem comprometer a estabilidade.